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Governo Trump revoga visto de embaixadora brasileira e amplia tensão diplomática com o Brasil

Medida foi anunciada após demora do governo Lula em autorizar a chegada do novo representante dos Estados Unidos em Brasília

04 de agosto de 2026 · Por Redação
Governo Trump revoga visto de embaixadora brasileira e amplia tensão diplomática com o Brasil

O governo do presidente Donald Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (3) e, na prática, obriga a representante brasileira a deixar o território norte-americano.

Segundo integrantes do governo dos Estados Unidos, a medida foi adotada como resposta à demora do Brasil em conceder o chamado agrément, autorização necessária para que Daniel Perez assuma oficialmente o posto de novo embaixador norte-americano em Brasília.

A administração Trump informou que o visto de Maria Luiza Viotti poderá ser restabelecido caso o governo brasileiro aprove a indicação de Perez. O episódio representa mais um capítulo de desgaste na relação entre os dois países.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tem adotado um discurso crítico ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos meses, ele já fez declarações contra a política econômica brasileira e acusou o Palácio do Planalto de não negociar de maneira adequada com os Estados Unidos.

Além das divergências diplomáticas, as relações bilaterais também foram abaladas pelo anúncio de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros. A medida aumentou a pressão política e econômica sobre Brasília e aprofundou o confronto entre os dois governos.

Indicação de embaixador causou incômodo em Brasília

O governo norte-americano solicitou formalmente a aprovação do nome de Daniel Perez cerca de um mês depois de tornar pública a indicação. O procedimento gerou desconforto no Palácio do Planalto porque, tradicionalmente, o país responsável pela nomeação consulta primeiro a nação que receberá o diplomata e somente depois anuncia o escolhido.

Integrantes do governo Lula afirmam que não existe urgência para conceder a autorização. Na avaliação de auxiliares do presidente, Washington deixou de seguir os trâmites diplomáticos habituais ao divulgar o nome antes de receber a manifestação oficial do Brasil.

Nos bastidores, também existe preocupação com a possibilidade de Daniel Perez adotar uma postura política durante o período eleitoral brasileiro. A indicação dele já foi aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos e ainda precisa passar pelo plenário.

Outro episódio recente contribuiu para aumentar a desconfiança entre os governos. No fim de julho, o Departamento de Estado planejou enviar ao Brasil dois representantes para discutir temas relacionados à liberdade de expressão, liberdade religiosa e integridade eleitoral.

A iniciativa foi interpretada por integrantes do governo brasileiro como uma possível interferência no processo eleitoral. Já a administração Trump rejeitou a acusação e afirmou que a visita fazia parte de uma agenda institucional com autoridades, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil.

A revogação do visto da embaixadora brasileira eleva o nível da crise diplomática e pode dificultar ainda mais o diálogo entre Brasília e Washington. Até o momento, o governo brasileiro não informou quais medidas poderá adotar em resposta à decisão norte-americana.

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