Moro larga na frente, mas a eleição paranaense ainda está longe de estar decidida
Lucas Hertz
Jornalista, assessor de comunicação e analista político, Lucas Hertz escreve sobre os bastidores do poder, comunicação pública, gestão e os principais acontecimentos que movimentam o Paraná. Sua atuação reúne experiência no setor público e na iniciativa privada, trazendo uma visão estratégica sobre política, economia e sociedade. Especialista em Inovação de Políticas Públicas pelo Governo do Paraná e embaixador do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), acredita que informar vai além de noticiar: é explicar, contextualizar e aproximar o leitor dos fatos que realmente importam.

As primeiras pesquisas para o Governo do Paraná começam a desenhar o cenário eleitoral de 2026, mas, como toda fotografia, registram apenas um momento. O levantamento divulgado pelo Instituto IRG, que coloca o senador Sergio Moro na liderança das intenções de voto, confirma algo que já era esperado: seu alto nível de conhecimento junto ao eleitorado continua sendo um diferencial importante.
No entanto, transformar liderança em pesquisa em vitória nas urnas são desafios completamente diferentes.
A mais de um ano da eleição, o jogo político ainda está em fase de construção. Alianças partidárias não foram consolidadas, candidaturas podem mudar de rumo e a campanha propriamente dita sequer começou. É justamente nesse período que muitas eleições são redefinidas.
Embora Moro apareça em vantagem, chama atenção a disputa pela segunda colocação. Requião Filho, Sandro Alex e Rafael Greca representam perfis bastante distintos de eleitorado e têm potencial para crescer conforme seus grupos políticos entrarem efetivamente em campo. A diferença entre alguns deles permanece dentro da margem de erro, o que indica um cenário ainda bastante aberto.
Outro fator importante é o peso da máquina política. Enquanto alguns candidatos carregam forte popularidade individual, outros podem contar com estruturas partidárias robustas, apoio de prefeitos, deputados e lideranças regionais. No Paraná, esse aspecto costuma exercer influência significativa durante a campanha, principalmente no interior do estado.
Também merece destaque o alto percentual de eleitores que ainda não definiram seu voto ou sequer acompanham a disputa. Historicamente, esse grupo tende a diminuir apenas nos meses finais da campanha, quando o debate eleitoral ganha intensidade e os candidatos passam a apresentar suas propostas de maneira mais consistente.
Mais do que medir quem está na frente hoje, as pesquisas servem para indicar tendências e orientar estratégias. Elas mostram onde cada candidatura precisa crescer, quais regiões exigem maior atenção e como o eleitor reage aos nomes colocados na disputa.
Em política, entretanto, não existe vitória antecipada. A história eleitoral brasileira está repleta de exemplos de candidatos que lideravam pesquisas e acabaram derrotados, assim como de nomes que começaram atrás e conseguiram construir uma trajetória vencedora durante a campanha.
O Paraná inicia, aos poucos, uma nova corrida pelo Palácio Iguaçu. E, se a pesquisa mostra quem larga na frente, será a capacidade de articulação, o diálogo com a população e a construção de alianças que definirão quem cruzará a linha de chegada.
Lucas Hertz é jornalista, assessor de comunicação e colunista. Escreve sobre política, comunicação pública e os bastidores do poder no Paraná.